Saúde

Dia Mundial da Voz
por Andreia Rodrigues

Dia 16 Abril, comemora-se o Dia Mundial da Voz, um pouco por todo o lado.
Por meio de várias iniciativas, apela-se à sensibilização para a prevenção, diagnóstico precoce e intervenção terapêutica dos problemas de voz em várias faixas etárias.
Será destacado, no presente artigo, a VOZ e as Emoções, sua correlação numa dinâmica Emoção – Comunicação – Fala – Voz.
O ser humano não dispõe de “uma voz”, mas várias, com as quais ele expressa emoções por meio do diálogo, consegue organizar-se, criando sociedades, tornando-se um indivíduo com identidade.
A revista Evolution and Human Behavior revelou que a voz influencia em muitas ações como a conquista amorosa, a duração do relacionamento, de promoções no trabalho, etc. Ela é reveladora de vários fatores como a condição física, cultural e emocional.
Essencialmente, a fala serve para transmitir uma mensagem através de palavras. Contudo, ela pode transmitir muito mais do que apenas palavras, pois possui características intrínsecas a ela.
Humm! Tsc, tsc, tsc… Argh! Os “sons emocionais” fornecidos por uma pessoa podem expressar muito mais do seu estado emocional do que a sua mímica facial.
Vocalizações parecem ter a vantagem de transmitir significados de uma forma mais imediata do que a fala. Assim interpreta o cérebro humano. Essas vocalizações, fazem parte de uma herança primitiva da espécie humana e pode, inclusive, se compartilhada por outros animais.
A voz humana é uma das mais ricas fontes de informação emocional. As expressões vocais não verbais aparecem em duas formas principais: com modificações no tom de voz durante a fala e por meio de vocalizações não faladas, como a respiração, o choro, suspiros, grunhidos, risadas, gritos ou até soluços. Em uma nova pesquisa, um grupo de cientistas usou essa gama de possibilidades, com a variação de entonação, intensidade e vocalizações produzidos pelo aparelho fonador humano, para reproduzir 18 sensações, sendo metade delas positiva e a outra metade negativa. Para a tarefa, foram escolhidos atores de quatro países culturalmente distintos: Índia, Quênia, Singapura e Estados Unidos. Eles foram instruídos a expressar as emoções da forma mais convincente possível, como fariam em situações reais de emoção. As vocalizações foram então gravadas e apresentadas a 29 voluntários suecos.
Os resultados, apresentados na revista Frontiers of Psychology, mostraram que, ao tentar interpretar as emoções positivas, os participantes suecos tiveram uma taxa de acerto de 39%. O índice pode parecer baixo, mas, segundo os autores, ele mostra que os voluntários conseguiram muitas vezes reconhecer as vocalizações de culturas distintas. Expressões de alívio foram as mais bem percebidas (70% de acerto), seguidas por lascívia (45%), interesse (44%), serenidade (43%) e uma surpresa positiva (42%). Felicidade (36%) e divertimento (32%) foram muitas vezes confundidas uma com a outra, o que sugere que elas são difíceis de separar. Juntas, essas duas últimas indicaram uma taxa de 60% de reconhecimento. As expressões positivas menos reconhecidas foram orgulho (22%) e afeição (20%).
De forma geral, as emoções mais difíceis e mais fáceis de serem interpretadas eram as mesmas nas diferentes culturas. Segundo os pesquisadores, isso sugere uma consistência intercultural.
Os mesmos procedimentos de estudo das emoções positivas foram realizados para analisar as formas negativas de sentimento. As taxas de reconhecimento se mostraram mais altas (45%) no total. O “nojo” foi a mais bem reconhecida (63%), seguida pela raiva e pelo medo (57%), tristeza (56%), surpresa negativa (53%) e desprezo (44%). A aflição (33%) foi frequentemente confundida
com medo e tristeza. Outra confusão comum foi entre vergonha (21%) e culpa (20%). O mesmo fenómeno de variabilidade cultural foi visto para emoções negativas.
A culpa, o orgulho e a vergonha envolvem reflexão e avaliação do ser, o que faz com que essas emoções sejam mais dependentes das habilidades cognitivas complexas em comparação com as emoções básicas, refere Laukka (um dos autores do estudo. As culturas variam sobre como o ser é definido e isso pode levar a interpretações culturais específicas de situaçõe particularmente relevantes para as emoções autoconscientes, tais como orgulho e vergonha. Existe assim a possibilidade de que a variância cultural seja especialmente marcante para a
manifestação de emoções autoconscientes. A expressão facial e a voz são as duas dimensões não verbais que contém uma grande quantidade de informações. O “tom” de voz tem uma expressividade muito grande com a ideia de que ela pudesse de fato caracterizar os aspectos
emocionais em diferentes culturas. A psicologia evolucionista pressupõe exatamente que todos os comportamentos, as atitudes e as emoções têm uma história evolutiva e é isso que se percebe em boa parte das pesquisas que são feitas hoje. Algumas características têm uma modulação, uma variabilidade cultural e outras muitas, um padrão universal, compartilhado por diversas culturas entre todos os seres humanos. São justamente esses comportamentos que estão ligados aos mais primitivos, mais biológicos, dos seres humanos e as emoções entram nessa categoria de manifestações que fazem parte da nossa bagagem biológica, relacionada à sobrevivência e ao relacionamento social. Na verdade, o que vamos perceber é que a linguagem acaba se sobrepondo a esses aspectos não verbais.
Normalmente, as pessoas prestam muito mais atenção ao conteúdo verbal, e o não verbal ocorre de forma subliminar, não consciente. No entanto, as pessoas têm facilidade em compreender a mensagem no global, mas muita dificuldade de especificar qual a emoção sentida em várias situações.

Curiosidades da Voz

A Voz é produzida pelas cordas vocais que ficam na laringe. O ar que sai dos pulmões passa por essas que, ainda fechadas, sofrem uma pressão colocando-as em vibração e produzindo som. Depois modulado pelas estruturas articulatórias na boca, originam a Voz.
O recém-nascido tem voz, mas não fala, já que esta é uma organização da linguagem. Na adolescência fase da puberdade a voz muda. Entre 30 e 40 anos, a voz do homem baixa uma oitava e nas mulheres, baixa três a quatro tons. Aos 60 anos, a voz do homem fica um pouco mais aguda e as das mulheres, mais grave. Para quem depende da voz, as cordas vocais devem ser tratadas como pedras preciosas. Ela é tão poderosa que, dependendo da sua entoação, resulta em um novo significado. Quanto mais feliz estamos, mais a voz torna-se aguda e, ao ficarmos tristes, o timbre fica “empobrecido”. Uma pesquisa realizada pela rádio inglesa BBC, elegeu Frank Sinatra como “a voz do milénio”, devido à sua dicção perfeita. Votaram ouvintes uma comissão de músicos e críticos. O segundo lugar ficou com Elvis Presley e o terceiro, com Nat King Cole.Andreia Rodrigues
Licenciada em Terapia da Fala
Pós graduada em Ciências da Fala (Universidade Católica Portuguesa)
Terapeuta da Fala na Clínica Joaquim Chaves Saúde.

Andreia Rodrigues
Licenciada em Terapia da Fala
Pós graduada em Ciências da Fala (Universidade Católica Portuguesa)
Terapeuta da Fala na Clínica Joaquim Chaves Saúde

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