Os trabalhos de desconstrução do prédio Coutinho já estão em curso – começaram às 8h45. O som de martelos a bater nas paredes é audível nas imediações do edifício de 13 andares, voltado para o Rio Lima, em Viana do Castelo. Proprietária de 99 das 105 fracções do edifício de 13 andares, a sociedade VianaPolis prometera, ao final da quinta-feira, que a desconstrução do prédio poderia começar a qualquer momento.

A entidade criada em 2000, no âmbito do Programa Polis, assumiu essa decisão, depois dos proprietários das restantes seis fracções se terem recusado a entregar as chaves às 9h da passada segunda-feira, data para a qual foi agendada o despejo dos moradores do prédio, depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, em Abril, ter considerado improcedente uma providência cautelar destes com o intuito de reverterem as expropriações.

A VianaPolis cortou o abastecimento de água na segunda-feira. Seguiu-se o corte do gás, na terça-feira, e a interrupção da electricidade e também dos elevadores, a partir das 17h de quinta-feira. A sociedade impediu ainda a “entrada de qualquer pessoa não autorizada pela VianaPolis no edifício”, apesar de ter garantido a “saída livre e sem qualquer restrição de pessoas e bens”.

Ao início da tarde de quinta-feira tinha sido proibida a entrada de alimentos no edifício.

Barricado dentro da sua casa, para manter a sua propriedade, Agostinho Correia disse ao PÚBLICO não “estar impressionado” com os trabalhos de desconstrução ordenados pela VianaPolis e questionou qual a licença que a sociedade tem para iniciar os trabalhos. O projecto de demolição foi entregue à empresa bracarense DST em Outubro de 2017, por 1,2 milhões de euros, mas está ainda à espera do visto do Tribunal de Contas.

Segundo fonte da VianaPolis, uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi accionada para prestar auxílio a um dos moradores do 5.º andar que não se sentiu bem.